Scott Pilgrim EX – Análise (Switch)

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Preview Scott Pilgrim EX – Análise (Switch)

A Tribute Games, após modernizar clássicos do gênero beat ‘em up com títulos como Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, agora nos presenteia com Scott Pilgrim EX, uma aguardada sequência de Scott Pilgrim vs. the World: The Game. Os entusiastas da novela gráfica de Bryan Lee O’Malley, do aclamado filme de Edgar Wright ou da série de animação da Netflix, Scott Pilgrim Takes Off, podem ficar tranquilos: o autor retorna com uma nova história, que se situa teoricamente após os eventos da série animada. Anamanaguchi também está de volta na trilha sonora, mas o grande destaque de Scott Pilgrim EX reside na introdução dos ex-namorados/as de Ramona, que agora são aliados e, em sua maioria, personagens jogáveis.

A trama se desenrola quando um “Metal Scott” de uma dimensão alternativa rapta os amigos de Pilgrim, incluindo o restante da banda Sex Bob-Omb e antigos personagens jogáveis. Com Scott Pilgrim e Ramona Flowers sozinhos em sua missão de resgate, eles se veem unidos a aliados inesperados: Matthew Patel, Lucas Lee, Roxie Richter, Robot-01 (criado pelos gêmeos Katayanagi) e Gideon Graves. Todos esses sete personagens estão disponíveis para escolha desde o início do jogo, suportando até quatro jogadores no modo multijogador local ou online. Personagens como Todd Ingram e os próprios gêmeos Katayanagi, assim como os amigos de Scott que são resgatados, participam oferecendo ataques especiais de suporte.

A Evolução Contida de Scott Pilgrim

O jogo original de 2010 estabeleceu-se como um clássico dos beat ‘em ups, lançado para promover o filme live-action e utilizando o estilo de arte pixelada baseado na novela gráfica. Após seu retorno para plataformas modernas em 2021, Scott Pilgrim EX surge como uma continuação essencial que mantém a mesma estrutura fundamental. O ponto mais notável desta sequência é a vasta variedade de personagens e seus movimentos, que vão além do equilibrado Scott Pilgrim com sua espada e a famosa patada ‘Tatsumaki’ de Ryu, ou da Ramona com seu martelo gigante e bolsa cósmica que arremessa estrelas.

Em termos de jogabilidade, Scott Pilgrim EX não apresenta uma revolução no gênero beat ‘em up, assemelhando-se mais aos primeiros títulos da série Kunio-kun e, mais recentemente, a River City Girls. Isso se deve ao fato de explorarmos um mapa semi-aberto, em vez de nos movermos rigidamente apenas para a direita. Existem diversas lojas onde se pode adquirir alimentos para restaurar pontos de saúde e habilidade, além de melhorias que aumentam atributos como vitalidade, vontade, força e agilidade. Cada personagem jogável possui seu próprio nível, o que incentiva os jogadores a experimentarem todos eles.

É possível equipar cada personagem com quatro acessórios e duas insígnias, compatíveis entre todos, independentemente do gênero, com diferentes níveis de benefícios. Além disso, um assistente pode ser escolhido para executar um poderoso ataque especial, incluindo vários dos ex-namorados/as de Ramona. Os personagens jogáveis não são apenas visualmente distintos; seus movimentos e estatísticas também variam significativamente. Lucas Lee, por exemplo, atua como o ‘tanque’ da equipe, fazendo referência direta ao prefeito Mike Haggar de Final Fight, inclusive em sua técnica especial. Roxie é uma ágil ninja com sua katana, e Robot-01 é literalmente uma máquina de combate.

De Toronto para o Multiverso

Como esperado, Scott Pilgrim EX está repleto de referências à cultura pop e aos videogames, presentes nas decorações dos cenários, diálogos e nos próprios personagens. Os chefes são igualmente peculiares, incluindo uma hambúrguer-robô controlada por um bebê – tudo remetendo ao estilo de Roger Rabbit – e até mesmo o ex-namorado de Kim Pine do ensino médio. Curiosamente, Simon Lee havia sido planejado para o jogo original, Scott Pilgrim vs. the World: The Game, como um chefe opcional apelidado de “Super Simon Lee”, cuja ideia descartada foi agora resgatada para esta sequência. Os constantes tributos a Mega Man, The Legend of Zelda e um cenário que evoca diretamente Castlevania são detalhes encantadores.

A história do jogo não é particularmente ambiciosa, seguindo o clichê dos amigos sequestrados, enquanto nos deslocamos pelo pequeno mapa de Toronto, navegando entre portais dimensionais e temporais. De modo geral, o mapa parece bastante simples e com pouca diversificação. Diferentes seções são bloqueadas e para acessá-las é necessário antes progredir para outro setor. O jogo não é longo, mas se torna muito mais divertido com outros jogadores, seja no modo local ou online. Graças ao jogo cruzado entre plataformas, não há problemas para encontrar partidas entre consoles Switch, PlayStation, Xbox e PC.

Mesmo com inúmeros inimigos na tela, quando o caos se apodera dos gráficos pixelados e, em certas ocasiões, é difícil localizar os personagens, Scott Pilgrim EX mantém um desempenho sólido, sem quedas de quadros ou ação ralentizada. É um jogo 2D leve e devidamente otimizado, o que explica seu bom funcionamento técnico. Não consideramos que seja um jogo complexo ou que ofereça a profundidade de conteúdo que alguns buscam, mas no multijogador, pode ser simplesmente divertido, ideal para distribuir golpes como nos velhos tempos e sem muita complicação. Algumas seções de minijogos e plataformas, no entanto, não são o seu ponto forte.

Os fãs mais dedicados da franquia Scott Pilgrim certamente apreciarão reencontrar-se mais uma vez com os personagens criados por Bryan Lee O’Malley, muitos dos quais fazem aparições como vendedores nas diversas lojas e armazéns do mapa. Visitar esses locais e gastar o dinheiro arrecadado é uma mecânica central do jogo, pois é a única forma de recuperar as barras de saúde e habilidade – além dos consumíveis que os inimigos derrotados dropam. O jogo faz uma divertida observação de como, ao contrário de outros videogames, não se pode simplesmente voltar para casa para dormir, visitar uma igreja ou um centro médico para obter recuperação gratuita. Afinal, assim não funciona o mundo real dos videogames, Scott!

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