A Itália, ausente da Copa do Mundo desde a edição de 2014 no Brasil, encontra-se em um momento decisivo. A equipe enfrentará dois jogos de repescagem cruciais que determinarão se o país pode reafirmar seu lugar na elite do futebol mundial ou se seu declínio será confirmado.
Uma estatística chocante ressalta o “deserto” enfrentado pelo futebol italiano nos últimos anos: aos 33 anos, Marco Verratti, atualmente no Al-Duhail, no Catar, ainda é o jogador italiano mais jovem a ter disputado uma partida de Copa do Mundo. Ele tinha apenas 21 anos em 2014, no Brasil, onde participou de duas partidas: a vitória por 2 a 1 contra a Inglaterra e a derrota por 1 a 0 para o Uruguai.
Naquela ocasião, a jornada da Nazionale no Mundial foi interrompida de forma abrupta ainda na fase de grupos, com a surpreendente classificação da Costa Rica e do Uruguai, que avançaram enquanto gigantes como Itália e Inglaterra eram eliminados precocemente.
A Itália Prende a Respiração
Quem poderia imaginar que a Itália não participaria de uma Copa do Mundo por doze anos? Essa ausência pode se estender ainda mais se os Azzurri não conseguirem a classificação nos dois jogos de repescagem desta semana: primeiro contra a Irlanda do Norte, e depois contra País de Gales ou Bósnia.
O técnico Gennaro Gattuso ressalta a importância vital desses confrontos para o futuro do futebol italiano. Apesar de ter conquistado o título de Campeão Europeu em 2021, a falha em se classificar para uma terceira Copa do Mundo consecutiva seria um golpe devastador e um declínio total para a nação. Gattuso enfatizou a necessidade de calma, a mentalidade correta e a demonstração de amor pelo país e pela camisa.
Resultados Encorajadores
O método de Gattuso, inicialmente recebido com ceticismo devido aos seus fracassos anteriores em clubes, parece estar funcionando: a Nazionale venceu cinco de seus últimos seis jogos.
Embora a equipe não tenha conseguido alcançar a Noruega de Erling Haaland para a classificação direta (a Noruega teve um desempenho impecável com 24 pontos em oito jogos, incluindo duas vitórias contra a Itália), os Azzurri tranquilizaram e até seduziram os torcedores com 19 gols marcados, recuperando a eficiência que faltava nos últimos anos.
“Nossa obsessão deve ser disputar esta Copa do Mundo, voltar para onde estivemos por muitos anos, muitas vezes como protagonistas”, afirmou Gattuso.
O Declínio do Futebol Italiano
Apesar de seu impressionante palmarés, que inclui quatro títulos mundiais (1934, 1938, 1982 e 2006) e dois títulos continentais (1968, 2021), a Itália, agora em 13º lugar no ranking mundial, perdeu parte de seu prestígio. Desde seu último coroamento mundial em Berlim, em 2006, a Nazionale venceu apenas um jogo de Copa do Mundo, a já mencionada partida contra a Inglaterra em 2014.
Uma incrível sequência de insucessos marcou a jornada dos Azzurri, que perderam as edições da Rússia em 2018 e do Catar em 2022 (após terem participado de todas as Copas do Mundo entre 1934 e 2014, exceto 1958). As eliminações nos playoffs contra a Suécia em 2017 e contra a Macedônia do Norte em 2021 foram traumas que ainda pairam sobre a seleção e que podem afetar o desempenho dos jogadores italianos se o cenário nos próximos playoffs se complicar.
Gattuso alertou: “Não devemos ver fantasmas na primeira dificuldade”. Ele também pediu para “não repetir o erro cometido contra a Macedônia do Norte há quatro anos. No futebol moderno, não há mais jogos fáceis, qualquer adversário pode nos colocar em perigo. O importante é saber reagir e não desmoronar se algo negativo acontecer”, sentenciou o técnico italiano.
O Desafio dos Playoffs
Os recentes fracassos de clubes italianos em competições europeias reacenderam o debate sobre uma “maldição” italiana em fases eliminatórias. No entanto, Gattuso não se deixa abalar. Para levar a Itália de volta ao cenário mundial, ele não revolucionou a Nazionale, confiando amplamente no mesmo grupo de jogadores de seus antecessores Roberto Mancini (2018-2023) e Luciano Spalletti (2023-2025).
O técnico chegou a considerar a possibilidade de convocar Marco Verratti, cuja 55ª e última convocação remonta a junho de 2023. Independentemente da forma atual do ex-jogador do Paris Saint-Germain, sua presença teria servido a um propósito: recordar aos Azzurri como é a experiência de uma Copa do Mundo.
