A Serie A italiana não precisa da validação da Itália para se afirmar globalmente.
Enquanto a seleção italiana se prepara para mais um verão de assistir às competições de fora, a liga que eles integram continua a atrair, desenvolver e exibir alguns dos melhores jogadores do planeta.
Essa desconfortável verdade foi mais uma vez sublinhada pela França.
De acordo com o RMC Sport, o técnico Didier Deschamps incluirá quatro jogadores da Serie A em sua lista final para a Copa do Mundo de 2026 – um torneio co-organizado pelos EUA, Canadá e México, e no qual a Itália não participará.
O anúncio da convocação é esperado para 10 de junho. A ironia não precisa de elaboração; ela a exige.
Os Quatro Nomes da Serie A Que Didier Deschamps Não Pôde Ignorar
A lista reportada pelo RMC Sport inclui Mike Maignan, o goleiro do AC Milan que silenciosamente se consolidou como, possivelmente, o melhor defensor de chutes da Europa nas últimas três temporadas.
Comandante, explosivo e tecnicamente impecável, Maignan é uma convocação que não requer justificativa – ele é a primeira escolha da França, ponto final.
Ao seu lado, Marcus Thuram, da Inter, garante seu lugar após uma campanha espetacular em 2025-26: 16 gols em 34 aparições na Serie A, construindo sobre sua revelação na Euro 2024, onde marcou três vezes em seis jogos.
O jovem Thuram se tornou um dos atacantes mais confiáveis do futebol mundial, e Deschamps sabe disso.
Adrien Rabiot, que completou uma transferência gratuita para o AC Milan vindo da Juventus no verão de 2025, também foi incluído.
Com 68 convocações pela França desde 2016 e três gols e seis assistências em 32 partidas da Serie A nesta temporada, Rabiot se reinventou no clube rossonero – mais discreto no Juventus Stadium, mas influente em San Siro.
A inclusão mais intrigante é Manu Koné, o meio-campista de 24 anos da Roma, que chegou do Borussia Mönchengladbach por €35 milhões em janeiro de 2026.
Quatro gols e cinco assistências em 18 aparições na Serie A depois, Koné conquistou sua primeira convocação para a seleção principal da França. A aposta da Roma foi enfaticamente validada.
A Reabilitação Silenciosa da Serie A: O Que as Escolhas da França Realmente Significam
A importância de quatro internacionais franceses jogando seus clubes na Serie A não é meramente estatística. É reputacional.
Isso sinaliza que a liga, que passou anos lutando contra narrativas de estagnação tática e declínio de prestígio, se restabeleceu como um destino onde jogadores de elite não apenas chegam – eles prosperam.
Maignan e Thuram já eram figuras-chave na seleção da França para a Copa do Mundo de 2022. O fato de que eles continuam sendo importantes, quatro anos depois, após temporadas em Milão e Milão, respectivamente, fala da capacidade da Serie A de sustentar, em vez de diminuir, talentos de calibre internacional.
A transformação de Scott McTominay em um dos meio-campistas mais dinâmicos da Serie A no Napoli é mais uma evidência do mesmo fenômeno – uma liga capaz de extrair o melhor de jogadores que foram preteridos em outros lugares.
As exclusões também são instrutivas. O meio-campista da Juventus, Khephren Thuram – irmão mais novo de Marcus – supostamente ficou de fora apesar de cinco assistências em 28 jogos.
Seu colega de equipe na Bianconeri, Pierre Kalulu, também foi deixado de fora. Youssouf Fofana, do AC Milan, não foi convocado, assim como o atacante Christopher Nkunku, que marcou 12 gols na Premier League pelo Chelsea nesta temporada, mas cujo histórico de lesões prejudicou seu caso.
A competição por essas vagas, entre jogadores baseados na Serie A, conta sua própria história sobre o status da liga.
O Paradoxo Doloroso: Itália Ausente, Serie A Representada
Há uma conversa que o futebol italiano não pode evitar neste verão. A Nazionale falhou – novamente – em se classificar para a Copa do Mundo.
No entanto, a liga que abriga Inter, Milan, Juventus e Roma enviará jogadores para a América do Norte vestindo as camisas da França, e quase certamente de várias outras nações também.
Como nossa análise da seleção mais valiosa da Itália para as eliminatórias da Copa do Mundo deixou claro, o déficit de talento não está na Serie A.
Está no fluxo que alimenta a Azzurri – as estruturas, o desenvolvimento de jovens, a disposição de confiar em jovens jogadores italianos antes que seja tarde demais.
A França não tem esse problema. Deschamps caminhará por Los Angeles em junho com Maignan atrás de sua defesa, Thuram liderando seu ataque, Rabiot controlando seu meio-campo e Koné adicionando dinamismo do banco.
Todos os quatro formados, ou aprimorados, na Serie A. A Itália não estará lá para testemunhar. A liga estará.
